Fiz concurso público pra carcereiro e não sabia. O carcereiro tem a vantagem de trancar a porta e ficar de fora com a chave, já o profesosr deve ficar dentro e ainda tem que manter a ordem. Neste início de setembro está fazendo um calor insuportável, as salas de aulas são muito quentes com seus telhados de amianto e algumas não possuem ventilador. Os alunos ficam mais agitados que nunca e eu que tenho vontade de correr pra fora da sala tenho que dizer pra eles ficarem dentro dela. Não nasci com vocação pra Pavarotti e nem acho justo que o professor fique sem voz, como estou hoje, por ter que gritar sem parar para manter a ordem. durante a semana de prova. Há alunos excelentes e a turma deve ser nivelada para cima pois, não devemos dar aulas em função de quem não quer nada. Se paro a aula pra colocar pra dentro da sala todo e qualquer aluno descomprometido que sai sempre que viro as costas, eu deixo de dar aula pra quem verdadeiramente sabe o motivo de estar ali. Se não posso levar a turma até a biblioteca por causa de um aluno prblemático, como poderei ser um intermediador de leitura para o aluno disciplinado? Não corro atrás de aluno e não grito a não ser em raros casos. É por estas e outras coisas é que sou o professor "light", sou light com os alunos mas sou comigo mesmo principalmente. A escola precisa dar conforto aos alunos e professores, pelo contrário, há salas em que tenho que disputar carteira com alunos porque não há mesa para professores. Me preocupo em dar aulas para os alunos que dentro dessas mazelas sociais ainda terão chance de conseguir algo através dos estudos. Alguns colegas estão reclamando que são demônios, jararacas, entre outras criaturas repressoras e dizem que estão sobrecarregados pois tentam manter a ordem a qualquer custo. Penso que manter a ordem é grandeza inversamente proporcional a dar conteúdo. Estou confuso chateado, penso que não estou servindo para a profissão. Ainda bem que dentro desta confusão toda encontro alunos por quem tenho vontade de voltar lá na escola a cada dia. (na imagem: digitalização de uma atividade - aluna do primeiro ano do terceiro ciclo.)
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Gritei, ops!
Pois gritei, bati com a régua na mesa e com o apagador também, dei socos no armário de aço e na porta, fui mal educado e mandei calar a boca, fui indelicado e quase disse palavrões, fui injusto e não deixei ir ao banheiro, fui fraco e às vezes desisti da aula, fui impaciente e esperei que resolvessem por mim, fui muita coisa que não queria ser, pois acreditava que com isso estaria consertando algo ou conseguiria fazer com que alguém entendesse ou aceitasse que o que eu tinha pra falar merecia ser ouvido. Erros, erros e mais erros...
Hoje vou terminar por aqui, não por não ter mais o que dizer, mas por estar engasgado e cheio de coisas pra digerir.
Digo apenas que estou em busca de ser professor, não o professor que eu pensei que era, mas o professor que eu preciso ser. O professor que faça sonhar sem falar no futuro, o professor que ensine o currículo exigido e atenda as demandas da realidade dos alunos, o professor que não precise pedir pra dar aulas como se fosse uma caridade. Um professor que se torne uma lembrança em um passado bom. Um professor que prepare o aluno ao menos pra que volte diferente no dia seguinte.
Postado por Valter Honorio às 20:48 0 comentários
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
"Inclusão"
Fim do horário e primeiro intervalo na sala dos professores. Outra inclusão, tenho uma cadeira e uma portinha no escaninho que no futuro terá o meu nome numa etiqueta com corações. Querem saber o meu nome, em que outra escola eu trabalho e há quantos anos dou aulas, falam de flexibilização, de aposentadoria, de ASMUB, SindUTE subsede Betim, da 32D, da 32B, da 42C, da 31C etc... Alguém de pé dá os informes da assembléia da categoria e o calendário das paralisações que começaria imediatamente.Já em casa às 16hs. Funcionário público. Mobilizado. Grevista? Boa vida? Sinto-me podado, castrado e sem autoridade e nem conhecimento pra gritar em meu próprio auxilio. Vou dizer mais palavras e narrarei outros dias desta história. Não estou desanimado. Nesta caminhada até o dia de hoje, já encontrei alunos próximos ao meu modelo e já me moldei para alguns outros, tive experiências boas e aprendi coisas muito relevantes, fiz amigos valiosíssimos, conheci outras realidades e dei um presente legal pra minha mãe com meu primeiro salário. Agora em agosto já estou pensando no presente para o papai e em comprar o meu carro.
Postado por Valter Honorio às 19:13 0 comentários
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Ufa! Acabada a primeira aula.
Bem... Segunda turma do dia e nesta nem sei me fazer ouvir, sou professor substituto, só substituto... Acho que não estou nem substituindo, no meio desta bagunça não sou nem ser humano. De repente e de onde menos se esperava, uma voz viria em meu auxílio "professor você tem que gritar use uma régua pra bater na mesa e mande todo mundo sentar senão você não vai dar atividade nenhuma" . Gritar não me pareceu uma boa idéia. Havia prometido pra mim mesmo em uma consulta com o fonoaudiólogo no SESMT que não eu gritaria e nem forçaria minhas cordas vocais em competição sonora. A palavra “atividade” me soou mais solidária, então inventei um ditado e comecei a dizer umas palavras, aos poucos a turma se acalmava e me via transformando em um daqueles professores que improvisam aula. Frustrado. Sou professor? Quando enfim um número considerável de alunos já me ouvia (e depois descobri que os outros não fariam nada mesmo em aulas futuras) quis conversar com eles e fazer perguntas de sondagem, mas não quis macular aquele sagrado momento em que as palavras que fluíam de minha boca se transformavam em caligrafias múltiplas em seus papéis. Senti-me, no mínimo professor (professorzinho de merda), pois uma mínima transmissão de dados, mesmo que ainda não sendo processados em conhecimento, já acontecia. O simples ato de poder transmitir algo, naquele momento era uma imensa satisfação.Postado por Valter Honorio às 00:18 0 comentários
Professor enfim?
Aos 30 anos e de posse de uma vaga de trabalho na função que escolhi, após estudar na faculdade que sonhei e tomar posse do cargo que almejei eu juro que acreditava que estaria realizado profissionalmente e financeiramente. Porém não consigo ser professor, não nos moldes que o meu aluno modelo esperava porque ele não está lá. Financeiramente? Plena campanha salarial, “não querem pagar as nossas perdas salariais”, “acham que devemos pagar a conta pela crise mundial”, “congelaram o plano de carreira”, “suspenderam as férias prêmio”. Será que devo me preocupar com isso agora? Frente a todas as angústias e questionamentos sindicalizei-me e satisfiz-me momentaneamente com esta inclusão, nas assembléias me chamaram de companheiro, sou categoria, sou filiado, voto... Sou professor enfim?Postado por Valter Honorio às 00:13 0 comentários
terça-feira, 14 de julho de 2009
Intimidando
Depois me explicaram que não devemos falar de futuro para os “meninos”. Devemos formá-los para o agora, devemos pensar na vida deles hoje sem dá-los perspectivas e assim talvez eles criem perspectivas próprias quando enfim interessarem pelo que a gente diz. Por hora só interessaram pelo como me visto, que religião eu tenho, onde moro, minha namorada, meu jeito de falar, minhas reações quando fico nervoso, com quem me pareço, os apelidos que eles não vão me contar e todas estas coisas que não estão ligadas ao que eu falo, mas sim com o modo que eles me veem. Chato. Exigente. Insuportável. "Depois toma um pipoco na rua e sabe o porquê..." Medroso. Acovardado.
Postado por Valter Honorio às 00:01 1 comentários
sábado, 13 de junho de 2009
Sonhar?
_ Fessô, pular daqui deve ser “da hora” Zé!
_ Sim, arrebentar a cara lá embaixo é que não deve ser gostoso.
_ Ah fii! aí já é outra história
Notei neste incidente que o hoje, o agora, o neste instante é o que importa. Velho. Que filosofia de vida é esta? De vida? Confuso. Porém admirado e interessado. Com um pouco de inveja por ter visto naqueles adolescentes tanta vitalidade e vontade de passar por novas experiências.
Bem... A oitava, ou quarto ano do segundo ciclo, nomenclatura que nem eles absorveram, não sabe o que é escola técnica e não quer saber de seleção para o segundo grau. No máximo fazem planos para o segundo grau na escola estadual duas quadras a frente.
Postado por Valter Honorio às 23:48 0 comentários
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Primeiro dia
Dia 13 de abril, escola 13 às 13hs. Primeiro dia na rede, primeiro dia na escola, primeiro dia de docência formal. De posse do encaminhamento da Secretaria de Educação recebido no dia 08 e após os feriados da Paixão de Cristo fui encaminhado a minha primeira turma, a primeira das quase 30 que irei conhecer nestes meses que citei abaixo. E como me sinto? Sinto-me professor, sinto-me orgulhoso. Diário na mão, turma de oitava série e confesso que não esperava entrar para a sala de aula no primeiro dia. Sinto-me inocente. Aprendi logo: hora na escola é, hora na sala, hora no livro de ponto é hora no contracheque. Não havendo outras horas na escola melhor será preparar algo em casa pra amanhã e não dar vexame em sala sem ter o que oferecer aos alunos. Aqui estando, uma boa idéia é nos apresentarmos e eu sondar as expectativas deles para com a disciplina. Inocente. Esperava encontrar a mim mesmo sentado em uma das minhas salas, não que eu fosse um aluno exemplar em minha carreira escolar, mas o fato é que eu era fatalmente o meu modelo de aluno, o aluno por quem eu quis ser professor era eu mesmo.Postado por Valter Honorio às 23:43 0 comentários
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Tudo começando...

Postado por Valter Honorio às 23:30 0 comentários
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